terça-feira, 2 de junho de 2009

O futuro da nação

Filhos, prole, o futuro da nação. Crescemos ouvindo, na maioria das vezes, toda aquela história de “crescei e multiplicai”, começamos a criar e gostar da idéia de ter alguém no mundo que tenha o seu nariz, os olhos do seu parceiro, até mesmo o cabelo da sua avó. Mulheres crescem com sonhos maternais, vêem ser mãe como o ápice da vida, a amamentação a doação total, fotos presentes chás de bebe, e tudo que uma grávida tem direito. Mas do outro lado do asfalto as coisas são um pouco diferentes, lá a informação não chega assim tão fácil, lá não se tem sonhos e sim presságios assim como as mulheres de Atenas de Chico. Lá trabalha-se muito, criam-se muito filhos e sonhos maternais não cabem mais. Eis que uma menina de seus doze ou treze anos se vê realizando o sonho da mulher pra quem a mãe dela trabalha. Essa menina não é nem adulta, uma criança gerando outra criança, não tem estudo, o pai da criança, ah esse está mais ocupado engravidando outra menor, o que fazer?
É não é justo, quem quer engravidar como a mulher para quem a mãe da menina trabalha não engravida, e quem não tem como criar uma criança não precisa nem se esforçar.
A mulher então resolve começar um tratamento de fertilidade, gasta milhões, mas ela tem um bom marido, casamento feliz, quer realizar seu sonho. A menina se vê sem escolha e abandona a criança.
Bom, agora que dei uma introduzida no assunto com uma “historinha”, vamos ao que interessa.
Nosso planeta está repleto de pessoas, teremos mais gente do que espaço daqui um pouco. Vivemos em uma época de colapso ambiental, água acabando, o clima ficando cada vez mais instável e imprevisível. Crianças vivendo na marginalidade por não terem quem as crie de verdade, fora aquele que lhes oferece ajuda, o primeiro que aparecer, que muitas vezes coloca-as em caminhos que vão contra a lei, como as drogas por exemplo. Essas mesmas crianças viram adultos, que não tem educação, berço, ou qualquer outro substantivo preciso para um adulto saudável fisicamente, psicologicamente e socialmente. Esses adultos viram marginais, que podem acabar fazendo o que fizeram com eles, e fica nesse ciclo vicioso, e isso não é fácil de acabar não, e não é do dia para a noite.
Por outro lado, temos mulheres que tem problemas de infertilidade, mas sonham ter filhos, elas foram criadas para isso. As mulheres em sua maioria tem uma criação típica de servir, aos poucos isso vai mudando, mas é lento, e ainda são vistas as que não tem filhos ou não são casadas como fracassadas. Há ainda quem diga que a “obrigação” do ser humano é dar continuidade da espécie... no entanto essa espécie vem se destruindo e destruindo as outras também. Mas voltando ao assunto das mulheres, elas criam esse desejo de ser a rainha do lar, de ter algum pequeno que chore e precise dela, isso é bonito, romântico e egoísta. Quando se quer ter um filho, pensa-se primeiro no prazer de ser mãe depois no que essa criança pode virar, infelizmente é assim na maioria dos casos.
Será que não seria mais proveitoso essa mulher que gasta milhões com tratamentos gastar isso com uma criança que já existe e precisa dela de verdade? O prazer egoísta de ter uma barriga vai além da preocupação com o coletivo?
Está bem, estou sendo radical, então vamos encontrar um meio termo, certo? Vamos satisfazer o prazer e a necessidade social, será útil e agradável, pense. Para o social, adota-se uma criança, sim, precisamos ajudá-las, não estamos sós elas fazem parte de onde vivemos, tenhamos compaixão! E para satisfazer-se e sentir aquela coisa de fiz a minha parte para a continuação da espécie, tenha um filho gerado em seu ventre. Já que tem condições de gastar tanto para ter filhos, tenha-os, mas com consciência social, isso sim é bonito, isso sim é doação.
E aos que temem a herança genética, aviso-os, isso pouco influência na vida da criança, o que vai influenciar mesmo é a criação que será dada, o amor, a dedicação e preceitos que serão passados a esse ser que tanto precisa dos outros. Pense como a sociedade seria mais justa e menos violenta se cada um ajuda-se dando um pouco de afeto mesmo que não adotando se não fosse possível para essas crianças que precisam de todos nós.
É tocante ouvir a história deles, de como foram parar nessas situações complicadas, os abusos, os maus tratos, ou o simples fato de não ter família para recorrer, pensar no outro é difícil, mas necessário.
Estou fazendo um discurso politicamente correto, mas é o correto mesmo, oras! Sejamos menos egoístas, “gentileza, gera gentileza”.

2 comentários:

Fábio disse...

Existiu em uma época uma campanha que tinha como tema a adoção e o slogan era: "Troque seu cachorro por uma criança de rua!"

eu sempre achei fantástico isso!

=)

Vinicius Santucci Rossini disse...

Ano passado fiz esa redação e ficou uma merda pq n tinha uma opinião muito formada... e continuo não tendo, credio q a vontade de ter filho é mais biologica que cultural, mas também é cultural, e a adoção é um problema superrrr burocrática, legal esse slogan da campanha, mas adotar uma criança n é tão simples como um cachorro... não basta apenas querer... mas o texto esta muito bom, muito bem escrito, parabens !