domingo, 10 de agosto de 2008

Fútil, inútil e outras bobagens

Um mendigo original. - João do Rio

"Morreu trasanteontem, às 7 da tarde, de uma congestão, o meu particular amigo, o mendigo Justino Antônio .Era um homem considerável, sutil e sórdido, com uma rija organização cerebral que se estabelecia neste princípio perfeito: a sociedade tem de dar-me tudo quanto goza sem abundância, mas também sem meu trabalho _ princípio que não era socialista mas era cumprido à risca pela prática rigorosa.A primeira vez que vi Justino Antônio num alfarrabista da rua São José foi em dia de sábado. Tinha um fraque verde, as botas rotas, o cabelo empastado e uma barba de profeta, suja e cheia de lêndeas. Entrou, estendeu a mão ao alfarrabista._ Hoje, não tem._ Devo notar que há já dois sábados nada me dás._ Não seja importuno. Já disse._ Bem, não te zangues. Notei apenas porque a recusa não foi para sempre. Este cidadão, entretanto, vai ceder-me quinhentos réis._ Eu!_ Está claro. Fica com esta despesinha a mais: quinhentos réis aos sábados. É melhor dar a um pobre do que tomar um chope. Peço, porém,para notares que não sou um mordedor, sou mendigo, esmolo, esmolo há vinte anos. Tens diante de ti um mendigo autêntico ._ E por que não trabalha?_ Porque é inútil.
Dei sorrindo a cédula. Justino não agradeceu, e quando o vimos pelas costas,o alfarrabista indignado prorrompeu contra o malandrim que com tamanho descaso arrancava o níqueis à algibeira alheia. Achei original Justino Como mendigo era uma curiosa figura perdida em plena cidade , capaz de permitir um pouco de fantasia filosófica em torno de sua diogênica dignidade. Mas o mendigo desaparecera , e só um mês depois, ao sair de casa, encontrei-o à porta.Deves-me dois mil-réis de quatro sábados, e venho ver se me arranjas umas botas usadas. Estas estão em petição de miséria.Fi-lo entrar, esperar à porta da saleta, forneci-lhe botas e dinheiro._ E se me desses o almoço?Mandei arranjar um prato farto e, com a gula de descreve-lo fui generoso._ Vem para a mesa._ A mesa e o talher são inutilidades. Não peço senão o que necessito no momento. Pode-se comer perfeitamente sem mesa e sem talher.Sentou-se num degrau da escada e comeu gravemente o pratarraz. Depois pediu água , limpou as mãos nas calças e desceu.Espera aí, homem. Que diabo! Nem dizes obrigado.É inútil dizer obrigado. Só deste o que faltas não te faria. E deste por vontade. Talvez fosse até por interesse. Deste-me as botas velhas como quem compra um livro novo. Conheço-te.
Conheces-me?Não te enchas vaidoso. Eu conheço toda a gente. Até para o mês._ Queres um copo de vinho?_ Não. Costumo embriagar-me às quintas; hoje é segunda.Confesso que o mendigo não me deixou uma impressão agradável. Mas era quanto possível novo, inédito, com a sua grosseria e as suas atitudes de Sócrates de ensinamentos. E diariamente lembrava a sua figura, a sua barba cheia de lêndeas... Uma vez vi-o na galeria da Câmara, na primeira fila, assistindo aos debates,e na mesma noite, entrando num teatro do Rocio, o empresário desolado disse-me:_ Ah! Não imaginas a vazante! É tal que mandei entrar o Justino._ Que Justino?_ Não conheces? Um mendigo, um tipo muito interessante, que gosta de teatro. Chega à bilheteria e diz: “Hoje não arranjei dinheiro. Posso entrar?” A primeira vez que me vieram contar a pilhéria achei tanta graça que consenti. Agora, quando arranja dez tostões compra a senha sem dizer palavra e entra. Um que mal faz?Fui ver o curioso homem. Estava em pé, na geral. Prestando uma sinistra atenção às facécias de certo cômico._ Justino, por que não te sentas?_ É inútil, vejo bem de pé._ Mas o empresário..._ Contento-me com a generosidade do empresário._Mas na Câmara estavas sentado._ Lá é a comunhão que paga.
Insisti no interrogatório, a falar das peça, dos atores, dos prazeres da vida, do socialismo, de uma porção de coisas fúteis, a ver se o mendigo falava.Justino conservou-se mudo. No intervalo convidei-o a tomar uma soda, por não ser quinta-feira._ Soda é inútil. Estás aborrecer-me. Vai embora.Outra qualquer pessoa ficaria indignadíssima. Eu curvei resignadamente a cabeça e abalei vexado.A voz daquele homem, branca fria, igual, no mesmo tom, era inexorável._ É um tipo o teu expectador – disse ao empresário._ Ah! Ninguém lhe arranca palavra. Sabes que nunca me disse obrigado?Eu andava precisamente neste tempo a interrogar mendigos para um inquérito à vida da miséria urbana e alguns dos artigos já haviam aparecido. Dias depois, estando a comprar charutos, entra pela tabacaria adentro o homem estranho._ Queres um charuto?_ Inútil, só fumo às terças e aos domingos. Os charuteiros fornecem-me. Entrei para receber os meus dois mil-réis atrasados e para dizer que não te metas a escrever ao meu respeito._ Por quê?_ Porque abomino a minha pessoa em letra de forma, apesar de nunca a ter visto assim. Se fizeres a feia ação, serei forçado a brigar contigo, sempre que te encontrar._ A perspectiva de rolar na via pública com um mendigo não me sorria. Justino faria tudo quanto dissera. Depois era um fenômeno de hipnose. Estava inteiramente dominado, escravizado àquela figura esfingética da lama urbana, não tinha forças para resistir à sua calma e fria vontade. Oh! Ouvir este homem! Saber-lhe a vida!Como certa vez entretanto, à 1 hora da manhã, atravessasse o equívoco e silenciosos jardim do Rocio, vi uma altercação num banco. Era o tempo em que a polícia resolvera não deixar os vagabundos dormirem nos bancos. Na noite de luar , dois guardas civis batiam-se contra um vulto esquálido de grandes barbas. Acerquei-me era ele.
Vamos seu vagabundo._ É inútil. Não vou_ Vai à força!_ É inútil, Sabem o que é esse banco para mim? A minha cama de verão há doze anos ! De uma hora em diante,por direito de hábito, respeitam-na todos. Tenho visto passar muito guarda, muito suplente, muito delegado. Eles vão-se, eu fico. Nem tu, nem o suplente, nem o comissário, nem o delegado, nem o chefe serão capazes de me tirar esse direito. Moro neste banco há uma dúzia de anos. Boa noite. Os civis iam fazer uma violência. Tive de intervir, convencê-los, mostrar autoridade, enquanto Justino, recostado e impassível, dizia:_ Deixa. Eles levam-me ,eu volto.Afinal os guardas acederam, e Justino deitou-se completamente._ Foi inútil. Não precisava. Mas eu sou teu amigo?_ Meu amigo?_ Certo. Nunca te pedi nada que te pudesse fazer falta e nunca te menti. Fica certo. Sou o teu melhor amigo, sou o melhor amigo de toda a gente._ E não gostas de ninguém._ Não é preciso gostar para ser amigo. Amigo é o que não sacrifica.E desde então comecei a sacrificar-me voluntariamente por ele, a correr a polícia quando o sabia preso, a procura-lo quando o não via e desesperado porque não aceitava mais de dois mil-réis de minha bolsa, e dizia, inexorável, a cada prova da minha simpatia:_ É inútil, inteiramente inútil!
Durante três anos dei-me com ele sem saber quantos anos tinha ou onde nascera. Nem isso. Apenas ao cabo de seis meses consegui saber que fumava aos domingo se às terças, embebedava-se ás quintas, ia ao teatro às sextas e às segundas, e todo dia à Câmara. Nas noites de chuva dormia no chão! Numa hospedaria; em noites secas no seu banco. Nunca tomava banho, pedia pouco, e ao menos alarde de generosidade, limitava o alarde com o seu desolador: é inútil. Teria tido vida melhor? Fora rico, sábio? Amara? Odiara?Sofrera?Ninguém sabia. Um dia disse-lhe:_ A tua vida é exemplar. És o Buda contemporâneo da Avenida.Ele respondeu:_ É um erro servir de exemplo. Vivo assim porque entendo viver assim. Condensei apenas os baixos instintos da cobiça, exploração, depravação, egoísmo em que se debatem os homens se na consciência de uma vontade que se restringe e por isso é forte. Numa sociedade em que os parasitas tripudiam _ é inútil trabalhar. O trabalho é de resto inútil. Resolvi conduzir-me sem idéias, sem interesse, no meio do desencadear de interesses confessados e inconfessáveis. Sou uma espécie de imposto mínimo, e por isso nem sou malandro, nem mendigo, nem um homem como qualquer _ porque não quero mais do que isso._ E não amas? _ Nem a mim mesmo porque é inútil. Desses interesses encadeados resolvi, em lugar de explorar a caridade ou outro gênero de comércio, tirar a percentagem mínima, e daí o ter vivido sem esfôrço com todos os prazeres da sociedade, sem invejas e sem excessos, despercebido como o invisível . Que fazes tu? Escreves? Tempo perdido com pretensões a tempo ganho.Que gozas tu? Teatros, jantares, festas em excesso nos melhores lugares. Eu gozo também quando tenho vontade, no dia de porcentagem no lugar que quero _ o menor, o insignificante _ os teatros e tudo quanto a cidade pode dar de interessante aos olhos. Apenas sem ser apontado e sem ter ódios. ­
­_ Que inteligência a tua!_ A verdadeira inteligência é a que se limita para evitar dissabores. Tu podes ter contrariedades. Eu nunca as tive. Nem as terei. Com o meu sistema dispenso-me de sentir e de fingir, não preciso de ti nem de ninguém, retirando dos defeitos e das organizações más dos homens o subsídio da minha calma vida.É prodigioso ._ É um sistema, que serias incapaz de praticar, porque tu és como todos os outros, ambicioso e sensual.Quando soube da sua morte corri ao necrotério a fazer-lhe o enterro. Não era possível. Justino tinha deixado um bilhete no bolso pedindo que o enterrassem na vala comum “a entrada comum do espetáculo dos vermes”.Saí desolado porque essa criatura fora a única que não me dera nem me tirara, e não chorara, e não sofrera, e não gritara, amigo ideal de uma cidade inteira fazendo o que queria sem ir contra pessoa alguma , livre de nós como nós livre dele, a dez mil léguas de nós, posto que ao nosso lado.E também com certa raiva _ porque não dize -lo? _ porque o meu interesse fora apenas o desejo teimoso de descobrir um segredo que talveznão tivesse.Enfim morreu. Ninguém sabia da sua vida, ninguém falou da sua morte. Um bem? Um mal?Nem uma coisa nem outra, porque, afinal, na vida tudo é inteiramente inútil..."


Vivemos cercados de inutilidades e futilidades, meras vaidades que não nos serviram para nada, não nos acrescentaram em nada. Cortar o inútil, fútil o que não serve, é um bom começo para começarmos a ver quem somos de verdade o quão interessados somos nas coisas, o que nos faz e não faz bem, o que é e o que não é convencionado.
Pode parecer assustador, mas é um modo extremista de vermos nossa verdadeira personalidade. Tenho minhas inúmeras inutilidades as quais não me desapegaria, pelo menos não por enquanto, vejo o quão mesquinha sou quando se trata disso.
Certas manias, objetos, lembranças as quais nos apegamos e não desapegamos a não ser que trabalhemos duro para isso. Tenho cortado o inútil, posso dizer que isso faz um bem danado.

Pra mim ou pro folgado?

Há um tempo atrás, não muito, tive uma aula de história em que surgiu o assunto das cotas em escolas públicas em faculdades públicas.
Os mocinhos da história, ofendidos por 'perderem' sua vaga na faculdade para esses 'folgados' das escolas públicas, ora onde já se viu tamanho absurdo!
Esqueceram-se, no entanto de como é o ambiente escolar, como é o ensino, é fácil achar que todo mundo é do mesmo 'nível' que você, com bons professores, com um ambiente para estudo, favorável, sem ter que trabalhar para viver, é muito bom mesmo, se fosse assim não haveria por que das cotas, realmente.
O ensino público infelizmente não é dos melhores, não há nem como ser, por vários fatores, ambiente, falta de incentivo a falta de oportunidade... Esquecem-se de que apesar da teoria ser linda, não somos todos iguais e nem temos as mesmas chances, mas enfim, não é bem sobre isso que eu quero falar.
Retornando à aula, um aluno diz:
- Sabia que vai aumentar a cota para alunos da escola pública. - então respondo.
- Você sabia que a nossa escola é considerada escola pública? - silêncio. Eis que uma aluna pergunta.
- Então por que pagamos mensalidade?
- Porque é fundação- a professora responde.
A partir desse momento, ninguém mais reclamou das cotas. Estranhamente os alunos começam a concordar com as cotas, apesar de nossa escola ter estrutura de escola particular, bons professores, bom ambiente, bom preparo...
Percebe-se então que tudo que não os beneficia é injusto, mas a partir do momento que beneficia não é nada mais que justo, vai entender.

Estúpidos

É triste ver como as pessoas são tristes
Como são inseguras e tem toda hora que se auto-afirmar
É triste ver a falta de personalidade
A falta de coragem que as pessoas têm de serem elas mesmas
É triste ver a hipocrisia nos olhares, censuras, toques e sussurros
A falta de honestidade nos atos
É triste ver como as pessoas podem ser impassivas
cercadas por razões exatas em suas fechadas vidas
É triste ver o sofrimento de quem se submete
A falta de caráter de quem explora e maltrata
É triste ver como as pessoas tocam os corpos
a falta de toque no intimo, na alma
É triste ver as pessoas
Tão estúpidas e animalescas...

Senhas

Eu não gosto de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...


Senhas - Adriana Calcanhotto, e nem só de rock é feita a vida de uma pessoa.

domingo, 13 de julho de 2008

Dia do Rock

Dia do rock, é hoje minha gente, feliz diga do rock pra vocês.
Que o rock volte a ser como antes e deixe modinhas e tendências de lado.
Que o preto não seja só uma cor da moda, mas sim uma identificação.
Que o estilo musical seja uma escolha e na uma tendência.
Que as letras voltem a ter atitude.
Que os agudos e graves se misturem em uma única música, sem pudor.
Que se fale de tudo e mais um pouco (sem apologias, né gente, hohohoh).
Que tenha com que se identificar além do que a mtv mostra.
E que acima de tudo, as verdadeiras bandas de rock botem pra foder! Como já diriam as velhas.
"Paulão foi pro bar e disse que vai beber até morrer
disse que tá com o saco cheio de ter que se vender
de trabalhar de dia pra tocar na madruga
Paulão é um presidiário planejando a fuga
ele se sente um covarde, um vendido idiota
que precisa achar coragem para encarar a própria sorte
ele tá deprimido e sabe bem o que fazer
Paulão foi pro bar e vai beber até morrer

Paulão quer família mas não sabe ficar sentado
Paulão quer mobília, mas só vive chapado
e sabe que sua namorada está certa
quando não aceita viver em função da sua loucura
Paulão compreende bem a doença e sabe que ela não tem cura
ele tá com o saco cheio e é assim que deve ser
Paulão foi pro bar pra beber até morrer

Paulão tá puto com as rádios vendidas que não tocam seu som
ele sabe que a culpa é sua, coisa deste seu estranho dom
de falar do que todos fazem mas não contam
de escancarar o que está disfarçado nas novelas
de que tratam-se não de homens e mulheres, mas de cães e cadelas
que uivam baixinho sufocando os desejos
que querem dar e comer mas se contentam com beijos
Paulão é um cara errado e não sabe o que fazer
Paulão foi pro bar pra beber até morrer

Paulão olha em volta e só vê um bando de babacas
eles tem medo da violência das armas e da crueldade gravatas
sabe que a morte virá e teme que demore demais
sabe que é forte e é isso que o irrita ainda mais
se tranca no quarto e escreve uns versos sem luz
espanca um velho retrato e pede ajuda a jesus
e sabe que o mundo é esta porra que se vê
ei, Paulão: posso beber com você ???"
Paulão foi pro bar - velhas virgens


E fica aqui registrada a minha homenagem à:

Aborto elétrico
Agrotóxico
Apocaliptico
Bulimia
Camisa de Vênus
Cazuza
Cólera
Expermatrix
Garotos Podres
Inocentes
Joelho de Porco
Lixomania
Lobotomia
Ira! (correção do nome)
Olho seco
Paralamas do Sucesso (início deles)
Plebe Rude
Raimundos
Raul Seixas
Renato Russo
Replicantes
Restos de Nada
Rita Lee
RPM
Titãs (início deles)
The Beatles
T.P.M.
Velhas Virgens

entre tantas outras...

MUITO ROCK'N'ROLL PRA VOCÊS!

Universos nada paralelos

Estou na cidade que tanto amo, a minha cidade, (oquei, vou parar de bairrismo, coisa feia!)
Bom, entre ontem e hoje pude perceber o quão diferente são os ambiente. Ontem passei por bairros pobríssimos, onde não se vê quase casas e sim barracos. Hoje fui ao shopping para trocar uma roupa com a minha irmã, e vi, uma mega elite, um pequeno vaso custava R$4 mil reais, um jogo com 3 pratos, idem. Um par de sapatos (claro que com um ótimo estilista assinando a coleção), R$3 mil reais. Fui ficando cada vez mais abismada com as diferenças, os shoppings são diferentes, cada um com seu público. Ambientes criados para que a pessoa que não seja do publico alvo se sinta constrangida, mal vista, seja ela de um público que tenha mais ou menos dinheiro que o da classe a ser atingida.
Começo a ver cada vez mais os abismos simples que separam os seres humanos, é uma sensação de impotência gigante, você ver isso, ficar escandalizada e não ter se que voz para dizer qualquer coisa.
Os olhares hipócritas e de julgamento são constantes nos dois universos.
E depois não sabem porque as pessoas perdem as esperanças.

Destino

Fiquei tentando achar nas coisas triviais algo para escrever, não achei. Tentei achar algum sentimento para falar, fugiram-me as palavras.
Comecei a me dar conta do quando não sei do que escrever, faz tempo que não venho aqui, e vejo só, tudo jogado, se fosse um livro já estaria empoeirado na certa.
Foi necessário acordar para perceber isso, enquanto a gente sonha de olhos abertos não percebe.
Bobeirinhas coisas corriqueiras, não passam de detalhes, tudo então se torna um grande vão onde as pessoas ações, tudo vai se perdendo, um imenso buraco negro. e onde estão aqueles que compartilham das suas alegrias, triunfos e perdas? Estão lá, esperando por você no buraco negro, esperando que você abra os olhos e veja como estão as coisas para poder ponderar e aceitar a realidade.
Escrever, imaginar, estar de olhos abertos, não é suficiente para se viver. Respire fundo, e dê uma olhada no que está à sua volta, o que você tem feito, e as pessoas que estão com você, como você as vem tratando?
Mesmo as coisas engraçadas, não trazem nenhum riso, ou então a mais boçal das ações lhe mata de rir, o buraco negro nos deixa assim, cheios de extremos. Muitas vezes achamos que sabemos o que vamos fazer caso o seu plano de errado, mas não sabemos. E quando da errado, o que fazemos? Nos forçamos à abrir os olhos e enxergar que não basta ter planos, artimanhas, estratégias, a vida é além disso, o destino não nos compreende totalmente, aliás, nós que não o compreendemos.
É revoltante perceber isso, mas é a verdade, certas coisas não têm como você planejar ou criar planos B,C,D,E,Z... Elas simplesmente não vão acontecer como você espera.
E tantas outras, melhores às vezes, vem no inesperado, e como já me disseram um dia "As coisas que não são planejadas, sempre nos trazem boas surpresas", tenho que concordar, não que sempre sejam assim, mas o inesperado nos traz a alegria da surpresa, a satisfação da espontaneidade.
O destino é algo que eu acredito e muito, ele nos trás e nos leva onde quiser, claro que podemos interferir, mas ele e só ele tem um plano, pode parecer coisa de doido ou fanático, mas é o que eu realmente penso e sinto.
E toda forma de sentimento é válida, todas nos vão trazer algum crescimento não importa a idade ou a circunstancia, nós sempre vamos crescer enquanto sentirmos, e isso é algo simplesmente magnífico.
O que posso dizer sobre o buraco negro é, não planeje sua volta, ida, permanência com total segurança, sempre haverá uma brecha para o improvável, e as surpresas estarão aí.
E nunca se esqueça de ver o que está aí, com você.